Quando
uma emissora estreia algum programa, é natural que receba críticas.
Afinal, o tal do "piloto" nunca reflete a real sensação do público sobre
o novo produto, serve apenas para ajustar alguns detalhes técnicos. Mas
quando a atração chega de sopetão na TV, deixando explícita a falta de
tempo hábil para ficar "redondinha" na telinha, um perigo vem à tona: a
rejeição imediata da audiência.
Hoje a TV Record estreou o
Programa da Tarde com duas das
principais pratas da casa, Britto Jr. e Ana Hickmann. Ambos têm seus
seguidores, possuem programas próprios (ele conduz
A Fazenda, ela o dominical
Tudo É Possível),
conquistaram o prestígio por conta do trabalho desenvolvido e têm
química juntos. O problema está no restante do elenco, que pareceu
desesperado em roubar a cena dos principais apresentadores. Foi uma
confusão.
São diversos pontos que a Record precisa ajustar para tornar o
Programa da Tarde agradável. Algumas observações sobre a estreia:
1. Bancada: grande erro cenográfico. É uma atração
de clima leve, com auditório, que requer mais proximidade com o público.
Não é telejornal, talk show ou programa de receitas. Portanto, não
funciona.
2. Plateia: se houvesse alguma participação do
público nos quadros do programa, sua existência seria justificada. Ter
mais de cem pessoas somente para escolher a "periguete do dia" e
exclamar interjeições a cada meia dúzia de palavras dos apresentadores
não ficou legal. Neste ponto, o programa de Fátima Bernardes, na Globo, é
referência.
3. Sonoplastia: os ruídos que o técnico de som
aplica na atração estão desgastados. São utilizados em quase todos os
outros programas da Record. Além disso, dá um ar artificial e infantil
às brincadeiras, ironias e alfinetadas. Se o comentário é engraçado, o
público vai rir. Não é necessário o barulho de uma buzina para reforçar a
piada.
4. Empolgação: os apresentadores precisam encontrar o
tom adequado, pois em alguns momentos eles gritam no microfone para
superar os aplausos e berros da plateia. Aproveitando o gancho, um
microfone mais discreto para Britto e Ana cairia bem.
5. Quadros: foram três blocos com o
Babado Fashion.
Um quadro confuso, que não teve nada de "babado" tampouco de "fashion".
Só serviu de plataforma para atritos entre os "especialistas". Dos três
(citados nos tópicos a seguir), somente Ticiane Pinheiro estava bem na
função.
6. Ticiane Pinheiro: apresentada como "it girl" no
início do quadro, terminou com o título de "periguete". Um contraste
muito grande. Foi usada como referência ao grupo de mulheres que adora
usar roupas em tamanhos micro, que nem de longe lembram a apresentadora.
Fica o registro de ter sido bom vê-la à vontade na bancada. Parece ter
se encontrado.
7. Matheus Mazzafera: não tem escopo para o cargo de
comentarista. Talvez seja melhor continuar entrevistando suas amigas
top models ao invés de dar alfinetadas desmedidas nos colegas de
programa, ficar rebolando somente para atrair câmera e interromper os
dois principais apresentadores. Além disso, mentiu para o público.
Prometeu dizer o nome do pai da filha da modelo Carol Franscischini
(apontada como pivô no término do casamento de Bruno Gagliasso) e não o
fez.
8. Gustavo Sarti: por conta das alfinetadas de
Mazzafera, ficou como "vilão" do programa. Qualquer comentário que fazia
era seguido por vaias da plateia.
9. Tapas, beijos e lágrimas: as discussões entre "comentaristas", além do desconforto da participação de Tiririca no quadro
Donos do Jogo,
pesaram a atração. Não se pode deixar um convidado, por mais que ele
seja deputado federal (PR-SP), intimidar um apresentador. O palhaço não
gostou das indagações de Britto Jr. e gritou, inúmeras vezes, com o
apresentador. Pegou mal. Depois ele chorou ao falar de sua vida pessoal.
Encerrou a participação com beijo no rosto. Uma oscilação de emoções
muito grande.
10. Shaolin: muito bom ver a recuperação do
humorista, que sofreu um grave acidente de carro em janeiro de 2011.
Pena ter sido mostrada com um sensacionalismo deslavado na estreia do
programa. Ana Hickmann, que disse inúmeras vezes ser amiga do rapaz,
demorou 1 ano e 8 meses para visitá-lo. Nada melhor que uma estreia de
programa para se valer da emoção e atrair audiência.
11. Duração: três horas para um programa de baixa dinâmica é muito cansativo. Duas soluções: reduzir o tempo ou o marasmo no palco.
Sem dizer que o programa era para começar 14:30 e ir até 17:45, nada disso foi respeitado ... O Programa começou 14:35 e foi até 17:32
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